quinta-feira, 18 de outubro de 2007

teste

teste

Se você disser para um passarinho que ele nasceu para voar, provavelmente ele não ficará supreso.Com a delicadeza e polidez que só os passarinhos possuem, responderá que há anos já sabia disso, e que este fato – o de saber a quê veio ao mundo – o fazia bem.
Se disseres para uma pedra que sua função é a de permanecer parada e impermeável pela eternidade, conformada com o fato de que talvez – e apenas talvez – alguma chuva ou pé humano a troque de lugar, a reação será parecida. Provavelmente ela será um pouco dura, mas te dirá que já sabia disso. E que ela, assim como inúmeras outras criaturas, têm sua visível e eloquente missão. Que se sentem bem com tamanha obviedade, porque é mais seguro e sensato viver em um mundo onde as coisas fazem sentido.
Mas por que eu, tão representante da espécie, tão humana para os humanos quanto um passarinho é para os passarinhos, ainda não me conformei com a minha função? Porque a minha função é me render. E a rendição é uma piada. Suja e mal contada.
Faça o favor, “se render” não entra sequer em lista de resoluções de ano novo. Não cabe em livros de auto-ajuda, não exerce o direito da lógica. Só cai bem em contratos ingênuos de sociedade, em que um sempre dá no pé e o outro sempre dá no prejuízo.
Mas se você vier numa tarde dessas dizer que fui feita para me render, eu não vou ficar surpresa. Assim como para pedras, passarinhos, flores e nuvens, ouvir minha função depois de tantos anos soará um pouco óbvio. Mas se render é coisa para vítima de assalto. É propósito de gente sem propósito. Coisa de gente que ama sem medida, e amar sem medida é tomar xarope de cereja aos litros: bom, mas não faz bem. Rendição é assunto para fracos, para sonhadores, para os deficientes do bom e velho orgulho. É coisa de gente que ficou com um coração tão vazio, mas tão vazio, que cabe uma pessoa inteirinha ali.
E apesar dos pesares, esta é a minha função. O que me conforta por me dar um propósito, mas me judia por nunca fazer sentido. É o trabalho que eu mais sei fazer no mundo, mas que, inacreditavelmente, nunca consegui ensinar pra ninguém.
Vai ver eram pedras. Ou, sei lá, passarinhos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

De limão















Falam por aí sobre uma tal crise na criatividade de publicitários. Os vários meios de disseminação e a quantidade de informação que consumimos todos os dias podem, sim, ocasionar coincidências criativas, já que todo mundo anda lendo e se informando de maneiras parecidas. Os conteúdos vão se acumulando e o desafio de criar algo inovador é cada vez maior, ainda mais quando temos a impressão de que (quase) tudo já foi dito.

Isso justificaria algumas coincidências, leves semelhanças e uso de caminhos criativos que já se tornaram até previsíveis. Mas há sim, aqueles que se abrigam nessa história pra plagear uma idéia ou outra, e aí o negócio fica muito mais sério.

Dizem também que até nesse mundo publicitário, o tal do “nada se cria, tudo se copia” anda valendo. Se pensarmos bem, qualquer tipo de informação (inclusive peças publicitárias) nos inspira a ter uma idéia. O importante é não transformar a inspiração em cópia. E, por mais óbvio que isso tudo pareça, nesse blog estarão reunidas peças que colocam até o óbvio em questão. Está aberto o debate.